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Output before Input (Criar antes de Consumir)

Sep 23
4 min read

Como é que você começa o seu dia? Quais são as primeiras coisas que você faz ao acordar?


Acredito que a maioria de nós funciona meio no automático. Até porque, sinceramente, essas pessoas que pulam da cama cheias de energia provavelmente são mais exceção do que regra. Ou tu acha normal  acordar às cinco da manhã, tomar banho gelado, meditar olhando o nascer do sol e às sete já ter fundado três novas empresas?


Provavelmente tu acorda, toma banho, faz um café, se arruma pro trabalho. E, no meio disso tudo, provavelmente pega o celular algumas vezes. Ou várias. Ou tava checando ele antes mesmo de sair da cama.


Eu, por exemplo, costumava escovar os dentes checando minhas notificações ou rolando no Instagram. Em poucos minutos, minha cabeça já estava cheia.


Mensagem pra responder. Trabalho de alguém que eu admiro. Um projeto absurdo acontecendo do outro lado do mundo. Uma notícia. Um vídeo de gato. Outro vídeo. Alguém correndo às 5 da manhã e fundando sua empresa às 7. É meio louco pensar nisso.


Nosso cérebro naturalmente reage ao que chama a nossa atenção, e notificações, mensagens e todo esse fluxo de informação fazem exatamente isso. Elas interrompem o que estava acontecendo dentro da nossa cabeça e nos fazem responder a alguma coisa que veio de fora.


Ou seja, na prática eu acordava com a cabeça no estado mais silencioso que ela estaria durante o dia, e a primeira coisa que eu fazia era abrir a porta e deixar toda essa confusão entrar.


Até que eu ouvi um artista chamado Tom Sachs falar sobre “Output before input”, ou seja, produzir antes de consumir.


Por isso hoje, quando acordo, escovo os dentes, vou pra mesa da cozinha e faço esse exercício. Às vezes escrevo, às vezes desenho, poderia pintar, mas não importa. O que importa é se expressar da maneira que fizer mais sentido pra ti. Abrir esse canal de saída.


Não existe a obrigação de criar alguma coisa boa. Muito menos uma obra de arte. Na verdade, é importante que não exista essa pressão.


A ideia é simplesmente tirar alguma coisa da cabeça antes que o mundo inteiro comece a colocar outras coisas nela.


Pode ser um pensamento, uma memória, uma ideia, alguma coisa que tá me incomodando, uma frase completamente aleatória.


Eu simplesmente deixo sair.


E o mais curioso é que, apesar de eu ser pintor, ultimamente grande parte dessas coisas tem vindo através da escrita.


Não faz muito tempo que comecei a fazer isso, mas já percebi algumas mudanças.


Primeiro, meus dias simplesmente começam melhor.


Existe alguma coisa muito diferente entre começar o dia reagindo ao mundo e começar o dia criando alguma coisa sua.


Quando tu cria primeiro, as referências ajudam a construir alguma coisa que já começou dentro de ti.


Quando tu consome primeiro, às vezes é difícil até perceber onde termina a referência e onde começa a tua própria vontade. E acredito que isso vá muito além de arte.


Inclusive, teve uma coisa que eu não esperava.


Comecei a perceber padrões! Eu não fico relendo tudo que escrevi nos dias anteriores, mas quando tu percebe que está reclamando da mesma coisa pela terceira semana seguida, alguma coisa acontece.


Tu começa a pensar: “Talvez o problema não seja exatamente o que eu achava”, outros pontos de vista surgem e algumas mudanças começam a ficar mais claras.


Porque durante aqueles minutos não tem Instagram, não tem mensagem, não tem opinião de ninguém.


É você e você mesmo. E sim, talvez isso te assuste um pouco.


Mas eu acho que, se ficar alguns minutos sozinho com os seus próprios pensamentos parece assustador, talvez esse seja justamente um sinal de que tu deveria tentar isso.


Mudança gera insegurança. A nossa mente prefere continuar andando por um caos que já conhece do que entrar numa tranquilidade que ainda não sabe como funciona.


A gente vive num momento em que praticamente qualquer segundo vazio pode ser preenchido com alguma coisa.


Fila? Celular! Elevador? Celular! Café da manhã? Celular! Silêncio numa conversa? Celular!


A gente quase não deixa mais a cabeça ficar sozinha e talvez algumas das nossas melhores ideias precisem justamente desse espaço vazio para aparecer.


E não precisa ser uma hora. Dez minutos, mano!


Se a tua primeira reação for “eu não tenho dez minutos de manhã”, abre o tempo de tela do teu celular. Eu tenho certeza que eles estão lá. 😂


Não quero transformar isso em mais uma obrigação ou naquela história de que existe uma rotina perfeita capaz de transformar tua vida.


Não existe!


Tem manhã que eu também vou pegar o celular primeiro.


A diferença é que agora eu percebi o valor de proteger um pequeno espaço antes de deixar o resto do mundo entrar. De criar antes de consumir.


De colocar alguma coisa minha pra fora antes de receber centenas de coisas dos outros.


Output before input.


Amanhã, antes de pegar o celular, tenta se dar esses dez minutos.


Escreve. Desenha. Rabisca. Cria alguma coisa. Não importa.


Tu não precisa mostrar pra ninguém. Talvez tu nem precise olhar pra isso de novo.


Só tenta ver o que acontece quando, por alguns minutos, a primeira voz que tu escuta no teu dia é a tua.


E se algum dia você quiser me contar o que esses dez minutos mudaram por aí, vou ter o maior prazer de ouvir tua história!



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